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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Rapunzel do Sertão


  Rapunzel do Sertão


Numa região rural, ao nordeste da Bahia, tinha uma garota que se destacava perante todas as outras famílias, que tinham como rotina, a subsistência na agricultura, plantando e colhendo feijão.
As famílias sempre tinham uma renda baixa, contudo muita força de vontade, pois todos participavam alegremente dos serviços de plantio na maior boa vontade, onde era uma constante a amizade e união entre todos, sem falar na inocência que caracteriza todos que habitam o agreste.
Nesse quadro, Mariana e sua família mantinham o seu cotidiano, em que aqueles lindos olhinhos negros eram a janela para uma mente cheia de força de vontade e de informação.
Certo dia, ao dirigir-se para a sede da cidade de Araci, a fim de vender o produto do seu suor e desprendimento, Rivaldo, pai da nossa personagem, deparou-se com um livro chamado: A história de Rapunzel, cuja capa existia uma linda princesa com longos cabelos dourados numa das torres de um enorme castelo, o que realmente encantou a nossa garota, que pediu ao seu pai um exemplar do livro, pois a atraiu de pronto!
Como ela não sabia ler, teve que pedir ao seu pai que não era bom na arte de decifrar aquelas letras, contudo sempre ao meio dia, após o almoço, Reinaldo dava um jeito de concatenar as palavras e produzia um bom resultado.
Assim Mari, como era carinhosamente chamada, atentamente ouvia a leitura do seu genitor, participando de cada uma “cena” emocionante e tentava gravar cada parte para passar adiante, fingindo uma leitura, que realmente era o sonho dela. As rodas iam se formando em um manto de admiração, pois uma garota tão pequena lendo um livro! Era realmente de espantar a todos naquele quase inóspito lugarejo, onde todos chamam vulgarmente de “roça”.
A garota percebeu que o mundo da leitura é a verdadeira porta para a informação, diversão e sabedoria, por isso o seu grande desejo realmente era aprender a ler aquele livro tão bonito e encantador, para de fato passar para as outras pessoas, o que repentinamente apareceu a sua chance, pois a prefeitura tinha acabado de designar uma professora para alfabetizar as pessoas do lugarejo, lá na casa de farinha, onde as pessoas processavam a mandioca.
Com isso, a nossa garotinha conseguiu “decolar” no seu sonho e ao alfabetizar-se, prosseguiu nos estudos, mesmo com uma defasagem diante dos colegas, sempre se destacava, até no colégio daquela cidadezinha - cujo lugar parece tão grande para quem vem dos distritos - em que ela tinha que ir de carona numa carroça com um único morador que fazia o transporte de todos, rotineiramente.
Hoje, a professora Mariana, trabalha em sua sala de aula com crianças “sedentas” de informação igualzinho a ela, e sua amiga de tranças de mel, trancada na torre do castelo, “puxa” os alunos da nossa grande personagem, para o mundo mágico da leitura e do conhecimento ao ler aquele mesmo livro, mas a fama da garotinha esforçada, que lutou para não ficar sem instrução ante as outras com maiores oportunidades, deixou um feito, digno da estória infantil. Suas tranças negras ficaram na imagem de todos os lavradores, que sempre ao vê-la dizem: - Olhe a Rapunzel do Sertão!



Marcelo de Oliveira Souza,iwa

Do livro do Autor Conto & Reconto
Editora Celeiro de Escritores




















sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cadê Ione?


Cadê Ione? 

Hoje em dia é muito difícil educar uma criança, visto que a nossa sociedade se transformou e a fronteira entre o tradicional e o démodé virou a mesma face da moeda, cujo lado contrário virou a permissividade. 
Outro detalhe muito importante é quando o casal se separa, a criança entra em parafuso, muitas vezes não é por causa da separação, mas porque os pais que entraram em paranóia primeiro. 
Foi assim mesmo, o caso de Rosângela, uma morena que mora lá no são Caetano, ela tinha acabado de se casar com Rodrigão, um homem grosseiro que veio do sertão. 
Não demorou muito, ele arranjou logo um jeito de engravidar a moça, para ver se coloca as rédeas, segundo o infeliz. 
Depois de nove meses já se viu o resultado, um grito estrondoso, com o pulmão a toda força, estreou Ione, uma moreninha sapeca. 
O tempo foi passando e o nosso amigo aprontando, para cima da sofredora esposa, deu para tomar umas cervejas depois do trabalho de vigia na Ceasa, que só voltava lá pra a madrugada. 
A mulher que trabalhava à noite num supermercado, não tinha tempo nem de se coçar, você sabe como é caixa de um lugar desses... 
O melhor jeito que ela arranjou foi tratar logo de batizar essa garota, entregando esse “presente” para a sua irmã Rita e seu esposo Osvaldo. 
Assim a moça foi mais despreocupada para o trabalho, cumprir a sua sentença no caixa de supermercado, e o esposo que não trabalhava mais por causa do alcoolismo ficava o dia inteiro no bar e à noite se jogava na cama para dormir. 
Lá pelas onze horas quando a sofredora chegava, ainda o homem procurava confusão, com ciúmes, dizendo que a moça estava se vendendo na rua, futucava a bolsa da coitada perguntando sobre o dinheiro. 
Sei que o casamento ruiu diante de tanto desencontro e humilhação, nesse quadro, Ione já estava” maiorzinha”, com onze anos de idade. 
A salvação dela era que a menina estava em ótimas mãos, mas o que é bom dura pouco, a menina conseguiu passar no “ventibulinho” do colégio da Polícia Militar, público e conceituado, mas é longe de casa. 
Poe isso, ia de van para a instituição e quando voltava ficava na casa da avó que morava na mesma rua e nos finais de semana ela ia para a residência dos padrinhos, de lá, passeavam para tudo quanto é lugar, era uma festa. 
Lá no colégio a garota vez muitas amizades, só que as coleguinhas eram bem avançadinhas, já se pintavam, se achando mocinhas, ia para o shopping aos sábados, formado uma daquelas tradicionais tribos que a gente vê tanto nesses lugares de Salvador. 
A transformação era a olhos vistos, quem percebia mais era a madrinha, até o cabelo a garota queria modificar, não aceitava mais trancinhas, queria se vestir como adolescente ou até adulta.
A insatisfação era total, a mãe preocupada com a transformação da guria, enchia-a de presentes, se “embolava” no cartão de crédito e comprava tudo, deu até o famigerado computador+internet que nessa soma resulta no Facebronca! 
A menina fez um perfil com outro nome e ficava paquerando todo mundo que achava bonitinho, eram longas horas sentada na “segurança” do seu minúsculo quartinho. 
A mãe satisfeita que a menina parou em casa, a madrinha mais descansada, porque a criança diminuiu as suas idas na sua residência, mas a avó ficava desconfiada com tanta risadinha advinda do quartinho do barraco. 
No aniversário de doze anos da garota, ela ganhou um celular, um grande aliado da perdição juvenil, claro que a menina adorou. 
A nossa amiga “caixa” toda satisfeita ainda vociferou para a mãe: 
- Agora parece que as coisas estão indo para o lugar! Eu já estou namorando a minha filha se comportando e tudo se endireitando... 
O namorado chamava-se Hélio, mora ali mesmo na viela dela, viu os atributos da mulher e resolveu conferir o “caixa”. 
Não é que algum tempo depois ele já estava indo dormir lá no “moquifo” da nossa amiga? 
O pior que o beberrão do ex-marido, o ex-vigia não gostou e foi lá tirar satisfação, o caldo engrossou, o pau comeu no barraco, se engalfinharam, saíram rolando a ribanceira, foram parar lá embaixo perto da pista, só não terminaram na rua porque tinha uma cerca de arame farpado que segurou os dois num grande abraço de urso. 
Depois do incidente, Rosângela conversou com o seu ex-marido e ameaçou levá-lo à delegacia. 
O homem sumiu, agora quem “mandava” era Hélio, que não dormiu no ponto, tratou logo de engravidar a sofredora. 
A bagaceira estava perfeita, uma adolescente problemática, a mãe com a corda no pescoço, cheia de dívidas e de preocupações, o tal do homem com nome de gás nobre, não tinha nenhuma nobreza, pelo contrário, fazia bico como motorista lá na Cesta do Povo. 
Ione não estava mais se concentrando na escola, só queria saber de encontrar os amigos do Facebronca e para piorar a madrinha engravidou e não tinha mais tempo de ficar saindo com a menina, que se queixava à mãe de não poder sair mais, não passeava, não ia para canto nenhum, era só no celular e na internet. 
A avó dizia aquela célere frase: 
- O que tanto essa menina faz no computador? 
Mas não havia nenhuma resposta. 
As notas delas ruíram, a menina saiu do Colégio Militar, foi para uma escolinha particular de bairro, ia estudar, mas não entrava na instituição, ela saía para namorar os amigos da net. 
A mãe chegava tarde, a avó se queixava do comportamento da neta, o “namorado” queria atenção, a filha se trancava no quarto batendo a porta com a maior força, não abria a porta nem por um decreto e amanhecia... 
A triste rotina seguia, Ione deu até para sair escondido, no meio da noite, ninguém sabe pra onde. 
Certo dia, quando a nossa sofredora personagem chegou, ela viu o quarto da menina aberto e achando estranho perguntou: 
- Cadê Ione? 
O namorado dela não sabia responder, dizia que podia estar na casa da avó. 
Imediatamente a coitada arrastou seu corpo até a casa da mãe e foi lá perguntar pela filha. 
Só que a casa esta trancada e a idosa que não ouvia muito bem já estava no terceiro sonho. 
A mulher começou a gritar pela filha, acordou a rua todinha, depois de muito escândalo a vovó Zilda acordou. 
E a filha em prantos perguntou: 
- Cadê Ione, mãe? 
A avó da menina responde: 
- Ué, está dormindo na sua casa! 
Foi aí que a confusão aumentou, todo mundo assustado pela ausência da menina resolveu sair em meio à madrugada, naquele lugar perigoso. 
Hélio pegou seu Chevette e saiu para os lugares mais distantes, Rosângela mesmo grávida, juntou-se com uns vizinhos e foi procurar a menina em cada beco da favela. 
A irmã grávida foi para a delegacia dar uma queixa, o padrinho foi ao hospital. 
Ninguém conseguiu localizar Ione, apesar da polícia também procurar, a menina parece que sumiu no ar, e a pergunta fica sempre no juízo da sua genitora, que foi promovida de caixa a coordenadora: 
- Cadê Ione? 


Marcelo de Oliveira Souza,IWA

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Cidade dos Espertalhões!






A Cidade dos Espertalhões 



Salvador é uma cidade conhecida também pelas invasões, a nossa topografia facilita muito a criação de favelas, ainda nos dias de hoje. 
Mesmo com o risco da chuva levar tudo, as pessoas continuam “tomando” as áreas públicas e privadas à procura da sua moradia definitiva. 
Como as pessoas na nossa terra são acomodadas e pensam que o bem comum não é de ninguém, foi instituída na nossa cultura que o espaço público ou até um espaço vazio não pertence a ninguém e como em uma cidade do nosso tamanho é quase impossível fiscalizar sem denúncia, as pessoas se aproveitam para invadir o que é de todos, até mesmo terrenos em prédios e conjuntos residências isso acontece. 
Mas também existe outro tipo de invasão justamente embaixo do nariz do transeunte, a invasão das calçadas, ao invés de serem lugar de passagem de pessoas, o local vira espaço de vendas de ambulantes de todos os tipos. 
No centro da cidade a prática existe menos, contudo é fiscalizada, porém, nos bairros essa prática acontece rotineiramente, onde as pessoas têm que sair da calçada para dividir os espaços com carros. 
Na Boa Vista de Brotas, esse tipo de prática está tornando-se normal, já foi comentado várias vezes sobre a Rua Professor Aristides de Carvalho Filho, sobre a prática de oficinas de beira de rua que toma a calçada e não existe ninguém na face da terra que possa dar um jeito naquela “ferida” . 
Sobre o falecido Parque Solar Boa Vista, acontece todo tipo de irregularidade e essa já tornou-se normal, contudo essa prática vez se avolumando, agora é na Rua Boa Vista, caminho do Engenho Velho de Brotas, onde tem um senhor da barriga avantajada que duas vezes por semana toma o espaço perto da Secretaria da Prefeitura e faz do lugar o seu próprio mercadinho; logo do outro lado da rua tem uma novo bar chamado Bakkanas que se apodera da calçada, cobre e coloca as mesas na calçada, tomando o espaço para as pessoas passarem, se alguém passa na calçada, quando ela está cheia de clientes, os próprios frequentadores ficam procurando confusão, como se ali fosse uma área particular, quando chove então a situação piora, pois o guarda-chuva de quem passa na calçada termina molhando os clientes da calçada, isso não é nada “Bakkana” gerando confusão. 
Até onde iremos aceitar a falta de gerenciamento dos espaços públicos na nossa cidade? 
Temos certeza que não é isso que o nosso novo prefeito ACMN quer para os moradores dessa bela cidade tomada por incautos e espertalhões. 


Marcelo de Oliveira Souza,iwa


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Minha amiga Jandira!





Minha Amiga Jandira


Toda criança sempre sonha em ter uma bicicleta, pois é um tipo de veículo que as fascina pela sensação de liberdade que ele proporciona.
Assim quando o meu irmão mais velho recebeu de presente uma, foi a maior alegria, como eu ainda era muito pequeno, só cabia a mim sentar na “ponga” e aproveitar a viagem, o que não era tão legal para ele, pois tinha que pedalar em dobro, e para acompanhar os colegas ficava muito difícil, mas eu não o largava,só queria ir junto para apreciar as aventuras pueris.
Quando passávamos o verão em Itaparica então, era uma "coqueluche", grupos e mais grupos na “magrela” onde formavam-se turmas, paqueras e muita diversão à solta.
Numa dessas  noites, meu irmão saiu escondido para encontrar a turma ficando eu, desesperado por não ter ido, um tempo depois chega ele carregado, porque tinha subido o meio fio,  indo terminar no chão, numa dessas peripécias de criança.
Logo chegou a minha vez de ganhar uma, o que foi muito legal, contudo para aprender deu uma mão de obra, meu pai segurava atrás para tentar me equilibrar, mas nada, o tempo foi passando e aos poucos eu fui aprendendo, até que  num determinado  dia consegui sair pedalando pelas ruas desta cidade-verão, mas não era fácil, porque sempre havia algo para levar uma queda, os primeiros dias chegava a levar cinquenta quedas.
Teve uma vez que uma gorda me atropelou, isso mesmo! Porque quando estava passando,  me bati com ela, a dona  ficando em pé e eu caí, sendo socorrido por esta senhora que se chamava Jandira, que sempre lembra do fato, fazendo assim uma boa amizade, sendo assim comecei a chamar minha bicicleta de Jandira, o que tornou um fato até engraçado, pois foi uma homenagem que fiz à sua pessoa.
Assim eu já participava das turmas de bicicleta junto com meu irmão, andávamos a cidade toda, sempre procurando novas aventuras.
Quando voltava para Salvador, Jandira vinha no porta-malas toda dobradinha, e sempre que mencionava o nome da minha amiga, gerava uma confusão, ou pelo menos uma curiosidade.
Jandira envelheceu e terminou enferrujada no canto, pois os outros modelos eram bem melhores, mas depois de grande só ficou na lembrança as duas Jandiras, pois a nativa de Itaparica morreu e a minha, nem sei onde está hoje.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Eventos dias 30 de junho e 1 de julho




No dia 14 de junho de 2016 foi realizado o primeiro encontro organizado pela acadêmica Begma Tavares Barbosa, reunindo pessoas interessadas na leitura literária, na formação de leitores literários na escola e na troca de experiências sobre práticas de leitura.

Para comemorar um ano dos nossos Círculos de Leitura, e no clima da exposição Oxente, vamos nos reunir para conversar sobre autores nordestinos.

A Academia Leopoldinense de Letras e Artes convida para uma confraternização literária. Os participantes habituais já escolheram seus autores prediletos,
​ 
conforme convite acima. Escolha também um autor do nordeste que lhe agrade e venha participar do encontro especial que será realizado no próximo dia 1 de julho, das 10 às 12 horas, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho.

P
​or oportuno, encaminhamos em anexo o convite para o lançamento do livro Conto de um amor intermitente, de Daniella Guimarães de Araújo.

Agradecemos pela divulgação que puder fazer.

Atenciosas Saudações,
Nilza Cantoni - Segunda Secretária
Leopoldina, MG

Se não quiser continuar recebendo nossas informações, responda esta mensagem com a palavra 'excluir'.










quinta-feira, 22 de junho de 2017

Viva São João!



Amor & Amar



Deitado no final do dia
Dá aquela nostalgia!
Muito tempo se passou
Quanta gente nos ama
Quanta gente nos amou!


Alegria, tristeza, decepções
Tudo vem a seu momento
Ocupando nossos corações
Mas amanhã será diferente.

Gritos, palmas e  emoções
Vem tudo juntinho
Na surpresa que não é  surpresa
Invadindo de multidão!.

Nessa existência
Isso é que importa
Amor & amar...
Não tem remédio nem ciência
Nesse seu aniversário...
Ele é único, só seu ...
Onde nós cantamos sempre
Feliz Aniversário
Parabéns para você!




Marcelo de Oliveira Souza,iwa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Corpus Christi




Corpus Christi

 Um dia para refletirmos 
Para onde caminha a humanidade 
Se existe humanidade...

Ela existe? 
Um passando a perna no outro 
Pernada para tudo quanto é lado, 
Outro vai para a igreja rezar.

Depois de tanta maldade 
Até que merece ...
Mas o dia de farra continua 
Bebidas para todos os poros 
Trânsito em todas as estradas...

O corpo está li estagnado 
Ninguém lembra que o corpo existiu 
A consciência ruiu 
O povo ruim domina 
A humanidade caiu...

Corpos nas estradas 
A curiosidade reina 
O acidente causado, 
Coitado! 
Não resistiu, 
Mas o parceiro de viagem 
Gravou e divulgou na “cidade”.

O corpo fez sucesso 
Mas dois minutos depois, 
Tem outro mau sucedido 
Que foi agredido e vencido 
pelas drogas e pelo crime.

Mais um corpo esquecido 
Que será comido pelos bichos 
Diferente do corpo de Cristo 
Iluminado e bendito, 
Virou tema de feriado 
Onde tudo vai recomeçar.
Em prol do seu nome iluminado 
Onde muitos irão novamente 
v i a j a r... 
E não voltam mais!



 Marcelo de Oliveira Souza,IWA

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Lição de Vida

Foto: Ribeirão do Meio, Lençóis BA Brasil


LIÇÃO DE VIDA 


Durante minha feliz jornada ao paraíso de Lençóis, encontrei um casal muito simpático, com uma senhora de cerca de setenta e dois anos, fazendo a trilha para alcançar mais uma das maravilhas da cidade. 
Encantados com o meio ambiente como eu, aos poucos fomos nos entrosando, indo desembocar num lago circundado de pedras chamado Ribeirão do Meio,que tinha uma espécie de tobogã natural, onde as pessoas escorregavam lá de cima indo terminar neste formoso lago, com águas frias e ferruginosas. 
Conheci esta senhora, que me passou uma verdadeira lição de História, e mais que tudo, uma lição de vida, para todos nós, inclusive as pessoas que são incrédulas na capacidade de amar do ser humano. 
Clara, chamemos assim, foi uma verdadeira batalhadora, quis participar da segunda guerra mundial, mas como a família era de grande influência em São Paulo, foi impedida de exercer seu valoroso patriotismo. 
Presenciou a revolução de 1964, contando suas aflições, onde tentava proteger o seu pimpolho, em meio uma guerra entre pessoas do mesmo País. 
Porém o mais bonito e marcante foi quando ela conheceu o seu o seu marido, hoje falecido infelizmente, deixando-a sozinha com seu filho, que agora já está casado. 
Como uma médica, ela fazia triagem sempre em pacientes, para empregos e também seguros, sendo uma pessoa bastante reservada, quanto a namorado. Passando assim um bom tempo sozinha, sua família bem como a sociedade pressionava quanto ao seu estado de solteira, o que não é muito diferente de hoje, porém como era da alta sociedade, a pressão era irremediavelmente maior, com filhos de senadores, ministros, todos de muito poder à sua espreita. 
Contudo Clara não sucumbiu, ao seu romântico desejo de realmente entregar-se a um homem por amor. 
Em meio a uma dessas entrevistas a pacientes, havia um rapaz bastante humilde, que respondendo ao questionário, informou a sua profissão de garçom que não sabia escrever, não fumava, não bebia, não jogava e não tinha nenhum vício, o que ela prontamente se afeiçoou, achando o seu príncipe encantado. 
Conheceu-o melhor em um local de refeições rápidas, se apaixonando, o que foi um escândalo para aquela época, uma pessoa da sociedade casar com um homem humilde e analfabeto? 
Ela saiu de sua casa em um bairro nobre de São Paulo, indo morar com ele em um barraco bastante humilde. 
Passou a alfabetiza-lo, e prepara-lo para a vida, e quando ele começou a escrever, a primeira coisa que ele fez foi uma carta de amor, agradecendo tudo que ela tem feito por ele. 
Em seguida foi matriculado para cursar o primeiro grau, depois o segundo, indo culminar na faculdade de direito de São Paulo, sendo um dos primeiros colocados. 
Formando-se com louvor, sendo bastante útil e criador das leis atuais do direito do trabalho, alcançando muito sucesso em sua profissão. 
Após vinte anos de luta em suas profissões, juntaram um dinheiro e foram morar na região da Chapada Diamantina, fugindo da violência da Capital Paulista, em que não quer nem pensar em voltar, ainda mais agora que o seu amor faleceu, cerca de um mês, lamentando. 
Viajaram bastante em suas aposentadorias, e onde eles já passaram ela recusa-se terminantemente voltar. 
Parece um conto de fadas, porém Clara é um nome fictício, mas a pessoa existe, onde extasiado, e muito atento às suas atitudes, vigor, sobriedade e simplicidade, Clara me conquistou e certamente vai conquistar você. 

Marcelo de Oliveira Souza,iwa 
Do Livro do autor Conto & Reconto 
Editora Celeiro de Ecritores

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Direitos Humanos









Direitos Humanos



Lá na calçada
Estava a passear
Vi um vulto
Chegando a me assustar,
Um homem todo sujo
Estava a espreitar
Um tonel cheio de lixo
Ele estava sem almoçar.

O homem parecia bicho
Não conseguia nem conversar
Uma tristeza muito grande
Com a cena a presenciar.

Sem direito a nada
Nem se alimentar
O prospecto de homem
Ficava por ali a vagar.

Nosso pais tão rico
Fala de tudo a se gabar
Mas um simples homem
Não consegue o que jantar.
Sem casa e sem comida
Num país que exporta tudo
Até estrangeiro flagelado
Encontra o seu lugar.

Contudo nossos irmãos
Não têm direito
Nem a se alimentar,
Quando vejo isso:
- Direitos Humanos
Dói no peito
Pois é papel
Só de enfeitar.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Parque Solar Boa Vista pede Socorro!





Parque Solar Boa Vista pede Socorro!


Quem mora na cidade de Salvador  sabe que é muito difícil ter áreas de lazer, os nossos parques são muito pequenos para uma quantidade enorme de usuários.
É muito complicado aqui o lazer principalmente para nossas crianças, se aqui não tivesse praia, penso que teríamos mais investimentos.
Na região de Brotas tem  o Parque Solar Boa Vista, que já foi muito bonito, hoje está agonizando e não tem nenhum filho de Deus na política que possa resolver esse entrevero entre prefeitura e Estado, num joguete que deixa a população local revoltada com esses poderosos, que esquecem que gestão também é trabalhar para quem votou neles, independentemente de questiúnculas políticas.
O pessoal da  região da Boa Vista de Brotas, já cansou de pedir, socorro, em todas as formas, até sinal de fumaça já saiu, com a queima do principal imóvel que foi a casa de Castro Alves, mas não tem ninguém que possa dar uma luz.
O local anda abandonado, menos pelo tráfico e desocupados, transformando a região num perigo para quem passa, o pior  é  que o local já é abandonado, mas o pessoal faz estacionamento de caminhões e caçambas; lava-jato; oficina; até entulho e lixão o lugar abriga.
Pedimos socorro aos nossos gestores, que se apiedem dos moradores e resolvam esse imbróglio chamado Parque Solar Boa Vista,


 Marcelo de Oliveira Souza,iwa

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Mar de Lama

Mar de Lama


Uma nova bomba estoura no planalto central, que põe em polvorosa a classe política brasileira, pondo o seu povo indignado com tanta sujeira que permeia a nossa nação.
Essa temática não é muito bonita, contudo todos tem que participar desse triste momento em que o Brasil atravessa, servindo de chacota para o mundo inteiro, pondo o brasileiro honesto com vergonha de um pais tão grande lindo e promissor.
As pessoas não têm direito a nada, são obrigadas a votar em quem não quer, agora estamos  perdendo direitos assegurados por constituição, vemos nosso parco dinheirinho escoando pelo ralo, com essa inflação que galopa e os mandatários se reúnem para continuar com seus benefícios próprios, é tanto inquérito que nos perdemos no labirinto dos processos, só sabemos de uma coisa: - o Brasil é um mar de lama!
Estamos falando apenas de nível nacional, com a operação lava-jato e seus desdobramentos, imaginem senhores e senhoras, quanto duto de propina existe Brasil a fora?
Não podemos colocar TODOS no mesmo saco de propina, mas infelizmente quase todos estão envolvidos com alguma falcatrua, não adianta ter processos abertos e prisões domiciliares, temos que mudar a base da nossa constituição penal, rever todas as leis que normatizam os  crimes e suas penalidades, pois se não revisarmos vamos prender e soltar, é o que a bandidagem está acostumada e o que infelizmente não vai mudar.
Hoje reclamamos, protestamos, pedimos justiça, mas infelizmente ela é uma senhora que está dormindo e vai continuar, por causa de leis que a adormecem, continuando sempre assim até um dia.
Esse dia está mito longe de acontecer; acontecerá  somente, quando nossos representantes não forem os principais lobos da corrupção, algo que cresce de cima para baixo, onde o próprio povo alimenta essa bandidagem,  ganhando para votar ou votando em renomados malfeitores;  assim o nosso país seguirá capenga e forte, pulando cada desfio, perdendo dinheiro a cada duto como se fosse óleo de um carro velho em uma longa viagem, que a cada ano se reabastecerá e abastecerá a corrupção indefinidamente.




Marcelo de Oliveira Souza,iwa



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Presente de Deus!

Presente de Deus

Um grande presente
Saímos dela, a presentear...
Tudo nosso é belo
Ela só quer  nos amar
Nosso choro é uma música
Nosso riso, o céu faz alcançar.

Nosso egoísmo, chega a machucar
Na mágoa, ela vem  nos acalentar
Mãe, você está em algum lugar!
O tempo passa e sua ausência
Só nos leva a lamentar.

Tanta coisa podia ter sido
Muito tempo para ficar
O Presente de Deus
Foi até nossa casa
De dentro dela
Ficamos a morar.

E quando perdemos
A nossa carne
No céu olhamos
De  algum lugar,
Ela deve nos olhar.

Nosso Presente de Deus
É a mais pura forma de amar
De seu ventre saímos
E de certa forma
Esperamos retornar!


Marcelo de Oliveira Souza,iwa
Homenagem ao Dia das Mães



sexta-feira, 5 de maio de 2017

Obrigado pelo seu Aniversário Divaldo Franco!





Obrigado pelo seu Aniversário Divaldo Franco!


Hoje é um dia muito importante para todos nós, uma data muito especial na nossa vida e para todos os que valorizam a paz e o bem, é o dia de nascimento do grande baluarte do espiritismo, o querido Divaldo Pereira Franco.
O grande ícone da bondade e caridade, nasceu em Feira de Santana, não tem nível superior, cursando somente o magistério, no entanto  conseguiu proeza de grandes personalidades mundiais.
Uma de suas maiores obras foi a criação da Mansão do Caminho, que fica em um lugar desfavorecido pelos órgãos públicos, mas nem por isso essa casa deixou de brilhar, muito pelo contrário, oferece até hoje abrigo para idosos, crianças e proporciona cursos dos mais diversos tipos para toda comunidade, independentemente de religião.
A Casa está ali para aglutinar e apoiar, fazendo o que órgãos competentes tem a obrigação de fazer,   mas não realiza nem a metade.
São seiscentas pessoas  criadas pela instituição, hoje membros produtivos da nossa sociedade, além de toda essa façanha, nosso amoroso amigo encontra tempo para psicografar livros, fazer palestras pelo mundo inteiro, em todas as línguas.
Vale apena frisar que ele não domina outro idioma senão o português, mas quando os tradutores não o fazem, o médium incorpora espíritos que o auxiliam na verbalização em outro idioma, uma prova cabal que a nossa vida não termina por aqui!
Essa pessoa ilustre, para os homens e espíritos merece a nossa eterna admiração, pois além de todo esse aparato social, mostra ser a simplicidade em pessoa, onde a sua célere frase derrama todo o seu amor ao próximo, sempre repetindo e nos ensinando, valendo a pena destacar: “- Ame o seu próximo independentemente de tudo!”
Entretanto  não é somente palavras, como nosso amigo sempre diz, coloque em ação, ame seu próximo em todas as suas vertentes, mesmo que seja seu algoz, “mostre seu amor não por palavras,  mas  por ações”
Obrigado Divaldo Franco, agradecemos  pelo seu aniversário, continue nos ensinando amar a cada dia, um dia a gente aprende!


Marcelo de Oliveira Souza,iwa

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Greve Geral



Greve Geral


Aqui no Brasil
Vai todo mundo mal
Não tem soldado
Nem general,
Todo mundo sofre
Uma loucura nacional.
Saiu um bandido
E aqui virou vendaval.
A ilusão de sermos tristes
Virou sonho visceral.


O trabalhador não tem direito
A constituição  ficou  presa no varal,
Enxugaram até dizer chega
Sem direito a nada
O trabalhador sofre
Um ódio carnal.

Muita balbúrdia
No Planalto Central
Bandido feito  baratas
Numa caixa com jornal.

Não tem pobre
Nem classe média
Todo mundo no mesmo barco
Perdendo tudo até os dentes
Só empresário está contente
Até que explode a greve geral.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa






sexta-feira, 21 de abril de 2017

Escritor Carioca radicado na Bahia lança mais um livro!






Escritor Carioca radicado na Bahia lança mais um livro de Antologia 


O Escritor Carioca radicado na Bahia, Marcelo de Oliveira Souza,iwa autor dos livros A Sala de Aula, Conto e Reconto, Confissões Poéticas e Sobrevivendo; Organizador do Concurso Literário Poesias sem Fronteiras e Prêmio Literário Escritor Marcelo de Oliveira Souza, iwa; lança mais um livro, participando da Antologia Poemas do Brasil, organizado escritora Marlete Alves; o autor foi ao memorável lançamento em Aracaju, confraternizando com os escritores da região, tendo a oportunidade de mostrar um pouco da sua obra a pessoas de todo o Brasil e conhecer outros poetas, que somente os conhecia virtualmente. 
O livro foi sedimentado através do grupo do “Whats app” Poemas do Brasil, que deu nome à Antologia, onde apresenta uma gama enorme de flores em sua capa, contudo as verdadeiras flores são os poemas dos seus caprichosos autores, mostrando toda a sua competência e desprendimento, pois através de um meio virtual, conseguimos criar um livro físico de boa qualidade literária, dando um grande passo na relação entre os autores do livro e grupo virtual. 
Esperamos que esse seja somente o início de uma jornada gloriosa, não deixando de felicitar a todos e todas pelo empenho e união. 

Marcelo de Oliveira Souza,iwa

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A Semana Santa Perdeu a Razão!

A Semana Santa Perdeu a Razão


Choro, tristeza, consternação.
O Sofrimento de Cristo
É triste lembrança,
Que senti desde criança.
O homem que amou
E sofreu ingratidão
Seu renascimento é milagre,
Comemoração...
Mas as pessoas novamente
O agridem sem consideração.
Das festas populares
Lembramos  da lição.
O homem traído
Teve compaixão.
O traidor virou personagem
De bandido, político, ladrão
Na “folia” tem gente
Que “perde a mão”!
Do cálice de vinho
Vira engradado de cervejão.
O ovo de páscoa
É motivo de ostentação
O peixe, é moeda de cotação.
Até baba de saia  apareceu
Que   é a nova ideia  
De transformação.
Todas essas são as mensagens
De que o homem
Não aprende a lição.
Nessa festa de união
Os crimes aumentam,
Corpos mutilados
Jogados ao chão.
Motivos de acidente,
Bebedeira, assalto
Ou simples agressão.
E nessa “comemoração”
A Páscoa se transforma
Num epilogo
De uma Semana Santa
Que perdeu sua razão.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa



sexta-feira, 7 de abril de 2017

Magricélia








Magricélia 


A maioria das pessoas que compõe a cidade de Salvador é advinda do interior da Bahia, gente que veio realizar o sonho de morar na capital, atraídas pelo fascínio urbano. 
Indivíduos que deixam tudo onde moram para vir tentar a sorte aqui, aspiram crescer e levar a vida num lugar melhor para seus filhos. 
Uma dessas pessoas é Magricélia, que já veio com uma mochila extra, ou melhor, uma criancinha chamada Antônio, sendo assim, designada de mãe solteira; como nos idos de antigamente isso era quase como um crime, uma vergonha para toda família, o mais sensato para ela foi sair pela tangente e tentar a vida na cidade dos sonhos dos interioranos baianos. 
Aqui ela conseguiu um cargo de costureira de confecção, passando, pois a montar o seu sonho, como ela era muito falante, comunicativa ao extremo, conseguia cativar todo mundo que passava por ali, num curto intervalo de tempo, ela parecia mandar mais do que a dona da confecção, pois era a âncora da loja. 
Algum tempo depois conheceu um policial com o mesmo nome do filho, o rapaz gostou tanto dos encantos da baixinha que terminou assumindo o filho xará e a sua falastrona mãezinha. 
Casaram-se em pouco tempo, morando num conjunto residencial apropriado para policiais, a nossa amiga radiante de felicidade tratou logo de realizar o grande sonho do marido, que era um filho macho. 
A lenda do filho homem começara por ali, teve a primeira chance, aparecendo uma menina, deram o nome de Dirce, dois anos depois eles tentaram novamente, surgindo mais uma menina, chamada de Caren, depois de tanta desilusão, foram desanimando e aceitando o que Deus reservou para eles. 
Mas o povo é um caso sério, fica ali encima massacrando, o policial dizendo que ele precisara ter um herdeiro, por conseguinte ele pressionava a esposa para ter mais um filho, só que ela não tinha aquela saúde perfeita, principalmente que já estava passando dos trinta anos de idade, e como na sua infância não era dada àquela alimentação perfeita, rejeitando todo tipo de leite, as doenças começaram a cobrar, os ossinhos ficaram quase tão frágeis quanto o de uma criancinha. 
Era pressão para tudo quanto era lado, a mulher adoecia tanto que chegou até a se aposentar por invalidez, restando somente o soldo do cônjuge, para sobreviver, o tímido marido quando cruzava com a cerveja passava a desmoralizá-la perante todos e o sonho da miúda foi se dissolvendo. 
Agora ela destinava somente os sonhos para Dirce, a única que gostava um pouquinho de estudar, a outra com ciúmes degringolou de vez, só chegava tarde da noite embriagada, cada dia com um homem diferente, apesar de não ser a rainha da beleza. 
Os anos se passaram e num desses encontros noturnos quando o marido ainda estava sóbrio, aconteceu o inesperado, a nossa amiga Magricélia, com toda aquela saúde frágil engravidou mais uma vez, sendo uma gravidez extremamente arriscada, já era quarentona, com problemas sérios de saúde, mas o milagre aconteceu, o sonho do casal de ter um garoto, foi enfim concretizado. 
A alegria voltou ao lar momentaneamente, pois o seu companheiro apesar de ter prometido nunca mais beber, não conseguiu separar-se da loira gelada. 
O garoto ganhou o nome de Michel, recebendo todo o amparo da família, mas quem realmente cuidava da criança era Dirce, pois sua mãe cansada de guerra, não conseguia passar uma semana sadia, um dia era dor nos ossos, outro dia era dor no coração, teve até principio de infarto, ao ver o seu companheiro escornado no chão molhado de urina. 
Para ela aquela foi a última gota d’água no garrafão da sua paciência, todos se reuniram e colocaram o marido para fora, que agora estava recém saído da corporação, aposentou-se e queria beber para esquecer a provável inatividade. 
Ele ficou morando a duas quadras da sua família, somente ia lá quando a sobriedade permitira, foi o pacto que fizeram. 
Até que o aposentado cumpriu perfeitamente, depois de alguns escândalos na frente da sua antiga residência, mas foi aceitando, os parâmetros que a sua filha Dirce tracara. 
Ele praticamente morava na antiga casa, com a desculpa de ver o seu filho Michel, o seu enteado que tinha o mesmo nome, morria de ciúmes, mesmo sendo adulto. O rapaz notava a diferença que fora tratado na sua infância por seu padrasto, apesar de toda aquela neurose, ele conseguiu passar no exército, ficando um bom tempo por lá, aposentando-se também por invalidez, por causa do coração, esse carma parecia mesmo ser de família. 
Mas Michel foi crescendo com todo dengo, ganhando presentes caríssimos, pajeado pela irmã mais velha, a sua segunda mãe. 
Em vista disso ele tornou-se um garoto mimado, não gostava de estudar e ainda por cima, começou a envolver-se com más influências, como essas três combinações são a verdadeira fórmula para a marginalidade, muita gente não esperava boa coisa partindo dele. 
O rapaz cresceu, mas nem o nível médio conseguiu concluir, os pais já cansados e idosos, não sabiam mais o que fazer com o filho, mas os presentes sempre apareciam, até motocicleta ele ganhou, mesmo sem dar nenhum retorno. 
Numa dessas noitadas ele arrumou uma encrenca, que não conseguiu sair, foi alvejado com dois tiros, um no coração outro na perna. 
Algumas pessoas arriscam dizer que foi dívida do tráfico, outras dizem que ele já estava montando o seu próprio negócio do pó e pedra, outros crédulos na inocência do rapaz, diziam que foi uma disputa por causa de algum rabo de saia perdido na noite. 
Os pais quando souberam, foi uma comoção total, a mãe baixou hospital, o pai não conseguiu dar uma palavra, Dirce tomou a responsabilidade para si, ainda conseguiu resolver os problemas, Caren até hoje não sabe o que aconteceu, sumiu no mundo, que ninguém consegue encontrar. 
Os sonhos de Magricélia foram intensos, o maior deles impingindo pelo marido, terminara assim, de repente, contudo o mais surpreendente mesmo, é que a sua filha desgarrada, agarrou um policial militar e está morando com ele a um ano na sua antiga cidade do interior, já tem até um filhinho recém nascido, que tem o mesmo nome do falecido tio. 


Marcelo de Oliveira Souza,iwa