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sexta-feira, 24 de março de 2017

Tuberculose



Tuberculose

Tosse sem parar
Não consegue aguentar
Rios de suor
Para incomodar,
Nem consegue
Se levantar...
Agonia sem parar
O apetite foi a outro lugar
Aos pouquinhos, definhar,
Corra logo, tuberculose
Vai tratar!

Ela é fácil de curar
Alguns meses a enfrentar
Persistência é a única ciência
E não desanimar...
O mal-do-século
Só na arte de rimar,
Agora viva,
Mas não pode fraquejar
Ela mata mesmo
E não vai perdoar.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa
Homenagem ao dia mundial de tratamento contra a tuberculose


sexta-feira, 17 de março de 2017

A Selva da Incompreensão




                                 A Selva da Incompreensão 



Antigamente quando eu era criança, a gente aprendeu o que seria democracia, o poder emanando da gente e o nosso país crescendo, era o sonho dourado pós-ditadura. 
Hoje esse sonho sequer realizou, o país empobrecendo, sendo pilhado por gente grande, mas não bastando isso tudo, lutamos contra o nosso próprio povo, a violência campeia a passos largos, da mesma forma que os nossos direitos, cada um luta de uma maneira para poder se desvencilhar do laço dos nossos caçadores. 

As emendas à nossa constituição, são constantes, não existe praticamente nenhuma lei nova que possa beneficiar o trabalhador, é só direito sendo vilipendiado e obrigações sendo impostas. 
Falando em imposição, o chamado “leão”, come praticamente a nossa mão, personificaram um bicho carnívoro e com muito apetite para poder “comer” nosso imposto de renda, cujo cálculo de devolução já está defasado há muito tempo. 
O interessante que tem  outro bicho terrível chamado “dragão”, que nos aterroriza até em nossos piores pesadelos; onde esses animais monitorados pelos caçadores controlam tudo que a gente possui, aumentando e diminuindo juros, enriquecendo mais ainda os banqueiros e nos pondo ao nível da pobreza, cujo cidadão de bem já parou de sonhar. 
Aqui no Brasil é contado o número de pessoas que enriquecem trabalhando, somos assalariados sim, sonhamos com dias melhores, contudo sentimos que vêm dias piores, com o aumento do tempo de contribuição da aposentadoria, fim do décimo terceiro e salário-férias. 
Diante dessa crise toda, nossos algozes implementaram a famosa “democradura” tornando a nossa vida que já não é fácil, mais dura ainda, onde remamos verdadeiramente contra a maré, procurando um horizonte com um porto seguro nessa “selva” brasileira, que de macacos, viramos ienas - rindo da nossa miséria – agora aos poucos, vamos acordando, passando a ser “formiguinhas” lutando contra os “rinocerontes” do poder. 



Marcelo de Oliveira Souza,iwa



quinta-feira, 9 de março de 2017

Na Carona





Na Carona


Desde que o  mundo é mundo existem dois tipos de pessoas, os que tem o seu veículo e os que andam “na carona”.
Hoje como as coisas estão mais difíceis, essa modalidade de viagem compartilhada ganha mais adeptos.
Vamos citar alguns que diante de nossa vista chama mais atenção, onde primeiramente podemos ressaltar as pessoas que pegam “ponga” às custas de quem está trabalhando no trânsito, onde alguns pedem carona até para o motorista do gás!
- Olhe o gás!
O pior que ajudam até a gritar, vociferam mais alto do que quem está no ramo, a empolgação é muito grande, os “caronistas” se esforçam muito para agradar o seu amigo motorista; uns até  brigam por eles, gritam, xingam os transeuntes que estão no meio da rua, tudo para ficar bem com que proporciona a viagem.
Os motoristas de ônibus, são os mais requisitados, no final de linha são verdadeiras peças cobiçadas, tem até briga entre as “Marias-carona” para ficarem  com os mais bonitos, mas quem disse que os feinhos perdem a vez?
Os taxistas já têm um nível mais elevado, são muito paquerados e paqueram muito no seu itinerário, afinal de repente a “corrida” pode sair de graça, tendo até chance de ter uma corridinha para um motel da vida.
Já os que têm seus próprios veículos, são os mais disputados, um carrinho de luxo, é o sonho da mulherada, existe até um quadro na televisão, que mostra um homem do interior como se fosse fazendeiro, perdido na cidade grande, onde o número de mulheres interessadas em dar um passeio para mostrar o perímetro urbano aumenta   de acordo com o tamanho do seu carro, é deveras interessante.
Todos esses casos que resumimos são muito curiosos, mas esse último é o que mais nos deixa indignado, é o caso dos motoqueiros,  daqui da cidade,  eles  fazem a  “festa”  em infrações de leis de trânsito, sobem em calçada, invadem semáforo, entram em contramão, tudo que eles imaginam eles fazem, mas quem  está “na carona” não está nem ligando, tem uns que nem usam capacete, ficam de short e não querem saber o que o condutor está fazendo, querem aproveitar o ventinho e seguir agarradinho ou agarradinha.
Já vimos vários acidentes   com esse tipo de gente, que  preferem morrer ou acidentar-se gravemente do que perder essa carona.
A simbiose de motorista e carona é algo intrigante,  muitas vezes gera amor, outras vezes separa família, mas como ninguém é uma ilha, se quiser uma carona estamos aí, pronto para mais uma história bem contada com hora marcada.

Marcelo de Oliveira Souza,iwa



sexta-feira, 3 de março de 2017

Guerreira







Guerreira


Pequena,

Alegria do lar 
Cuidada, amada 
Menina levada. 
O Sorriso se abre 
Para nos alegrar 
Sua infância, consumida 
Adolescência em vida 
A flor desabrocha. 

Por todos preterida 

Estrela reluzente 
Encanta ao passar. 

O grande escolhido 

De namorado a marido 
Promessas de construir um lar. 
Juras de amor 
Para sempre gostar 
A “festa” irradia... 

Grito, ciúme... 

O vento bate no cume 
E tudo está a desmoronar. 
Briga, injúria onde era lar 
A tristeza domina 
Do amor, à ruína 
Começou a apanhar. 
Cheiro de álcool no ar 
Tudo passou a queimar 
Seu coração despedaçado, 
Da fogueira virou cinza 
E tudo que restou era ela 
Com sua vontade de recomeçar.

Marcelo de Oliveira Souza,iwa

Homenagem ao Dia da Mulher






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Carnaval




Carnaval

A alegria chegou
O trio elétrico passou
A multidão também,
Alguém ficou
Caído no chão!
Uma arma de encontrão
Furou o pulmão
Todos gritando
Indo atrás da atração.
Gente de montão
Felicidade de milhão!
Em todo lugar uma transmissão!
Em outros lugares empurrão...
Ali no cantinho um chupão
Mais à frente cervejão!
O malhado valentão
Terminou na prisão,
Levou um cachação!...
Todo mundo vira multidão
Camarotes do barão
Folia bem diferente, não?
Mas também tem o folião
Dos blocos e do arrastão...
Nas cinzas ainda não basta, não!
A tristeza do cordão
Que virou cordeiro,
Trabalhou e dançou
Mas acabou sem dinheiro na mão!
Mais triste ainda quem gastou...
E nem  chegou a brilhar
Mas terminou a quarta feira
Beirando o caixão!
Esperando a reencarnação
Para voltar à folia
Com toda energia
Ver tudo recomeçar!


Marcelo de Oliveira Souza,iwa
Feliz Carnaval!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O Fantasma Beberrão!



                                          O Fantasma Beberrão 





Sempre quando passava na barraca da esquina tinha um homem chamado João, ele era aposentado de uma estatal na Bahia e ficava ali curtindo as suas “férias permanentes”, não tinha quem o tirasse do seu clube, assim que ele chamava o seu aprazível lugar. 

Com as suas economias, nosso amigo comprou dois apartamentos num conjunto residencial no centro de Salvador, um ele alugava e o outro ele morava. 

Para preencher o seu tempo intercalando com o seu “clube” ele também assumiu a frente do condomínio, sendo síndico. 

Só que nosso amigo não dava muita importância ao ato de gerir a morada, ele queria tirar um proveito nas contas que administrava em nome dos moradores. 

Parece que naquela cabecinha careca a esperteza fomentava, sempre tinha uma novidade. 

O local é vizinho de uma favela, cujo pessoal da invasão tinha uma criação de galos de briga, só que para as aves esticarem as pernas”, eles deixavam os bichos ciscarem no nosso terreno. 

Foi a oportunidade de João comer “galo ao tucupi”, ele armou-se com um anzol e espetou um milho, ficando a esperar lá de cima da janela, quando o bicho bicou ele puxou e pescou a ave. 

O favelado depois de um tempo deu por falta, foi a maior confusão no conjunto, mas o homem não sabia quem tinha sido o culpado e saiu esbravejando e ameaçando todos, mesmo estando errado em criar galo no terreno do prédio. 

Certa vez começou a faltar água e a gente ligou para a empresa e disseram que há anos não tinha feito o pagamento, até a conta tivera sido extinta. 

A gente nunca ia saber ser não ligasse para a empresa de saneamento, pois o tal do beberrão descobriu um lençol freático no lugar e canalizava-o para o nosso tanque. 

Foi um verdadeiro pandemônio quando descobrimos o ocorrido, fizemos o homem pagar na raça, mesmo assim ele nunca se emendava. 

Depois de tantas aventuras e estripulias, o coração do nosso amigo não aguentou e teve uma síncope vindo a falecer, deixando dona Joana aliviada, pois ela não aguentava mais as confusões do marido, foi aí que ela veio dizer que eles moravam juntos, mas não eram casados há muito tempo. 

A “marvada” da bebida era um grande empecilho para o relacionamento deles, mas mesmo assim quando passamos no bar da esquina percebemos o lugar dele vazio com um jornal esticado, da mesma forma que ele fazia e de vez em quando viúva passa por ali e nós ouvimos um fiu-fiu... , ela jura que é João o nosso Fantasma Beberrão. 





Marcelo de Oliveira Souza,IWA

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sofrimento sem Água







Sofrimento sem Água

Seca, secura
do mal, uma amargura
Corpos Esquálidos
Caídos, Fedidos.

O sertão perdido
Parecendo punido
Da dor, um prurido...
Desejado, belo,
Vira bicho fedido.

Na gosma, vem o alarido
Com o corpo repartido
Vem o alimento da ave carniceira
Onde de repente
O céu se fecha...
Cuja água aplaca o sofrimento
Por um momento...
Para depois tudo recomeçar.


Marcelo de Oliveira Souza,iwa