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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017




LIÇÃO DE VIDA


Durante minha feliz jornada ao paraíso de Lençóis, encontrei um casal muito simpático, com uma senhora de cerca de setenta e dois anos, fazendo a trilha para alcançar mais uma das maravilhas da cidade.
Encantados com o meio ambiente como eu, aos poucos fomos nos entrosando, indo desembocar num lago circundado de pedras chamado Ribeirão do meio,que tinha uma espécie de tobogã natural, onde as pessoas escorregavam lá de cima indo terminar neste formoso lago, com águas frias e ferruginosas.
Conheci esta senhora, que me passou uma verdadeira lição de História, e mais que tudo, uma lição de vida, para todos nós, inclusive as pessoas que são incrédulas na capacidade de amar do ser humano.
Clara, chamemos assim, foi uma verdadeira batalhadora, quis participar da segunda guerra mundial, mas como a família era de grande influência em São Paulo, foi impedida de exercer seu valoroso patriotismo.
Presenciou a revolução de 1964, contando suas aflições, onde tentava proteger o seu pimpolho, em meio uma guerra entre pessoas do mesmo País.
Porém o mais bonito e marcante foi quando ela conheceu o seu o seu marido, hoje falecido infelizmente, deixando-a sozinha com seu filho, que agora já está casado.
Como uma médica, ela fazia triagem sempre em pacientes, para empregos e também seguros, sendo uma pessoa bastante reservada, quanto a namorado. Passando assim um bom tempo sozinha, sua família bem como a sociedade pressionava quanto ao seu estado de solteira, o que não é muito diferente de hoje, porém como era da alta sociedade, a pressão era irremediavelmente maior, com filhos de senadores, ministros, todos de muito poder à sua espreita.
Contudo Clara não sucumbiu, ao seu romântico desejo de realmente entregar-se a um homem por amor.
Em meio a uma dessas entrevistas a pacientes, havia um rapaz bastante humilde, que respondendo ao questionário, informou a sua profissão de garçom que não sabia escrever, não fumava, não bebia, não jogava e não tinha nenhum vício, o que ela prontamente se afeiçoou, achando o seu príncipe encantado.
Conheceu-o melhor em um local de refeições rápidas, se apaixonando, o que foi um escândalo para aquela época, uma pessoa da sociedade casar com um homem humilde e analfabeto?
Ela saiu de sua casa em um bairro nobre de São Paulo, indo morar com ele em um barraco bastante humilde.
Passou a alfabetiza-lo, e prepara-lo para a vida, e quando ele começou a escrever, a primeira coisa que ele fez foi uma carta de amor, agradecendo tudo que ela tem feito por ele.
Em seguida foi matriculado para cursar o primeiro grau, depois o segundo, indo culminar na faculdade de direito de São Paulo, sendo um dos primeiros colocados.
Formando-se com louvor, sendo bastante útil e criador das leis atuais do direito do trabalho, alcançando muito sucesso em sua profissão.
Após vinte anos de luta em suas profissões, juntaram um dinheiro e foram morar na região da Chapada Diamantina, fugindo da violência da Capital Paulista, em que não quer nem pensar em voltar, ainda mais agora que o seu amor faleceu, cerca de um mês, lamentando.
Viajaram bastante em suas aposentadorias, e onde eles já passaram ela recusa-se terminantemente voltar.
Parece um conto de fadas, porém Clara é um nome fictício, mas a pessoa existe, onde extasiado, e muito atento às suas atitudes, vigor, sobriedade e simplicidade, Clara me conquistou e certamente vai conquistar você.



Marcelo de Oliveira Souza,iwa
Do livro Conto & Reconto


















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