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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Portal do Inferno

O PORTAL DO INFERNO 


As pessoas quando moram em coletividade, apesar da tão difundida violência, nunca imaginam que onde residem poderá acontecer casos similares e muito menos uma grande e fatídica história de terror. 
Um casal recém casado, empolgado com a morada na capital Salvador, resolveu procurar um apartamento em um dos bairros mais conceituados da terceira maior capital do país. 
A garota chama-se Marleide e o rapaz Marlon, ambos funcionários públicos, também recém aprovados pelo último concurso do governo do estado da Bahia, e a esposa foi prestar serviços no instituto médico legal, auxiliando o médico legista.Ele começou prestar serviços na secretaria de Educação, no Centro Administrativo do Estado. 
Depois de muita negociação eles conseguiram equipar o apartamento, contudo algo parecia incomum às suas vivências, os vizinhos mal humorados e não aceitavam um cumprimento facilmente; e o pior, eram os vizinhos do andar de cima, tinham a mania de arrastar dia e noite objetos pesados, não pagavam o condomínio e deixavam a residência parecida com um sarcófago. Apesar de morar diante da nascente, parece que os raios solares se recusavam adentrar naquele recinto, para compactuar com tudo de tenebroso e misterioso. 
Tinha dias que dava para ouvir umas batucadas, gritos de horror; contudo, justamente nessa hora o mundo parecia parar, pois ninguém ouvia, somente o nosso casal, que tinham verdadeiras noites de horror, começaram a ter visões ruins e maus presságios. 
O programa diário sobre a criminalidade, os crimes de assassinato, eram verdadeiras repetições dos sonhos que o casal dividia, o que os assustavam cada dia mais e mais. 
No dia do folclore, o vizinho saia sempre com uma túnica negra e sua irmã o acompanhava com uma vela do seu tamanho, ela era mãe solteira e ninguém no conjunto sabia da procedência daquela criancinha, tinha ainda a mãe deles que sempre soltava gargalhadas infernais que assustava os mais valentes dos moradores, o tal de Raimundo, onde todos chamavam de Raimundocoió, porque ele tinha um cão parecido com um coiote. 
Nesse mundo muito louco que era aquele conjunto, todos se escondiam de qualquer aproximação, qualquer ato de fraternidade, de humanidade. 
Dentro desse contexto, os dias foram se passando, e no estacionamento tinha um carro funerário que servia para o transporte dos defuntos de uma casa do ramo. 
Nos dias seguidos às noites de lua cheia sempre as pessoas davam por falta de algum morador, a comunidade tinha cerca de cinco mil pessoas, mas os desaparecidos já alcançavam cinquenta, o preocupante era que as pessoas sumiam, e todos aceitavam o sumiço, não sei se é porque os que sumiam sempre eram aqueles que não possuíam grandes contatos com a família, ou se os seus parentes também eram enfeitiçados, a polícia não aparecia por lá por nenhum motivo, as pessoas estavam entregues a um segurança de quinta categoria, que perseguiam os moradores se estes não pagassem pedágio, ou suborno por qualquer motivo. 
O tempo se passava no tenebroso conjunto, certo dia um agente da secretaria de saúde, foi ao citado apartamento, que era de número 304, só que ele entrou e não saiu mais; como no conjunto a maioria dos moradores eram centrados em seus problemas, e a fofoqueira de plantão D. Luna não estava a postos, ou ficou com medo de dizer. 
Sei que um grupo de investigadores desavisados foi bater no bloco vizinho ao incidente, chamou até um morador que adora animais, e perdeu os dois, que apareceu seco igual a rato quando ingere veneno. 
Marleide certo dia foi reclamar do vazamento com o vizinho de cima, quando foi recebida apareceu um homem corcunda com um capacete na mão e disse que ele era um visitante e a dona do imóvel estava recolhida, e assim os dias se passaram e a goteira ia aumentando e molhando todo apartamento do casal, foi o que tornou o sonho dourado de uma residência própria um verdadeiro pesadelo. 
Marlon então decidiu investigar tudo de estranho que insistia campear pelo conjunto, e começou pelo vazamento, que aliás os seus produtores eram a raiz de todo o problema. 
Numa noite escabrosa de lua cheia, nosso investigador montou uma campana e seguiu os vizinhos durante a madrugada até uma casinhola abandonada em um barranco, lá no anexo da morada comunitária e percebeu que um grupo de pessoas fazia adoração à satanás, com oferendas e documentos de pessoas desaparecidas, dentro de um pentagrama ficava a dita Vizinha, chamada Elza, onde os adoradores do mal ficavam ao seu redor segurando um caldeirão fervente, colocando a documentação dos desaparecidos, com seguidos urros abafados, para que as pessoas não percebessem o que acontecia. 
Diante daquele quadro desesperador, nosso amigo saiu sorrateiramente e chamou a guarnição policial, que chegou toda paramentada arrombando a porta da casa e não achou nada, absolutamente nada, somente como vestígio o caldeirão, que continha a documentação do sindico do conjunto, toda esfacelada e aí que foram dar conta que o síndico não tinha fugido com o dinheiro do pagamento dos funcionários, e sim ele foi dessa para pior, através do pentagrama, que continha marcas de sangue, e logicamente foi periciado e constatado que tinha o DNA de muitos desaparecidos. 
A diligência rumou para o Bloco dos adoradores do inimigo, no apartamento em questão, só que ao entrarem eles tocaram a sirene, e esse dispositivo sempre transporta as pessoas justamente para a casinhola maldita onde eram sacrificadas as pessoas, durante a lua cheia. 
Quando os policiais se transportaram, encontraram os malfeitores novamente escondidos, pois pensavam que a turma da lei, ia invadir o apartamento e por conseguinte não encontrariam ninguém, pois ninguém se esconde na cena do crime, obviamente. 
Mas o tiro saiu pela culatra, contudo a dona Elza, suicidou-se encima do pentagrama, e transportou-se para o quinto dos infernos. 
Nesse local foi criado um parque, que nos dias de lua cheia, sempre some um desavisado, pois o pentagrama resistiu e está encima do pula-pula, que se as crianças pularem dezoito vezes, vão direto ao submundo de lúcifer, pois dezoito é seis vezes três o numero da besta. 
Contudo a paz voltou a reinar no Conjunto do Portal do Inferno, e apelidaram o parque em questão de parque do desespero, em que à noite sempre aparece o espírito da dona Elza convidando os adolescentes e crianças a pularem dezoito vezes, você arriscaria? 


* Do livro do autor Conto & Reconto


Marcelo de Oliveira Souza,IWA
Escritor e  Organizador do Conc Lit Poesias sem Fronteiras

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