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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Abacate

Abacate

 

Quebrando o silêncio da madrugada,

A colher trabalha agitada

A cozinha iluminada,

Ela acorda,  mesmo cansada,

Sem dormir a noite toda

Com sua saúde prejudicada...

 

Era um  medo de nunca ser lembrada...

Ela não imaginava

Que o abacate não era nada

Mas ao mesmo tempo

Dizia tudo...

Nessa música enrolada,

Com  a fruta machucada...

Ela   produzia   sons que   desenhavam

Para a eternidade...

O amor em forma de colherada.

 

 

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Homenagem à  minha falecida mãe

Maria   Lydia de Oliveira Souza



Marcelo de Oliveira Souza

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobre duas Rodas


Sobre duas Rodas

 

A nossa cidade de Salvador encontra-se cada vez mais espremida entre o trânsito e a explosão demográfica, resultando numa grande desorganização urbana.

Não temos onde estacionar os nossos carros, mas também os pedestres  não têm onde andar; é uma grande batalha se locomover aqui, pois também não temos metrô, sendo o ônibus um dos principais meios de transporte coletivo.

Sendo assim, muita gente decidiu migrar para motocicletas, mas onde a aquisição é mais barata que o carro, outros se aventuraram com as   bicicletas.

No caso das motocicletas, eles as utilizam como se tivessem montados num pequeno cometa, como se esse meio de transporte não tivesse freios, os incautos traçam o seu destino e vão loucamente engendrando-se no louco trânsito soteropolitano.

Para a maioria dos motoqueiros a lei não existe, eles invadem sinaleiras na maior tranquilidade, transitam pela contramão, onde desejarem, ainda  buzinam  para o veículo na mão correta se afastar, não tendo nenhuma punição nem fiscalização.

Isso é normal para esse pessoal corajoso, parece não ter amor à própria vida, o pior é que ainda tem motos que levam carona, arriscando ambas às vidas.

Ultimamente está aparecendo com mais frequência outro membro que compõe a malha viária, a bicicleta. São outros que arriscam a vida sobre duas rodas,  eles  estão pensando que são motoqueiros, mas os imitam da pior forma, cortando o trânsito onde convier, transitando até no meio das rodovias, justamente ali onde tem a faixa de divisão entre as mãos.

São ainda piores, pois não podem  ser multados, achando-se no direito até de levar carona  em meio ao louco trânsito soteropolitano.

A cidade já não ajuda com muitas ladeiras e poucas ciclovias, mas isso não é motivo para aventurar-se  em meio ao caótico trânsito soteropolitano.

Um grande banco, ainda criou um projeto que aluga bicicletas, mas esse pessoal que as utiliza, tem   menos habilidade no guidão  que os outros loucos  - contudo são mais cautelosos -  os pobres coitados ficam no centro da cidade feito baratas tontas procurando um espaço mínimo para transitar.

Por isso, como  eles são a parte mais fraca   do   nosso louco trânsito,  além do pedestre,  eles expõem suas próprias vidas sobre duas rodas, gerando grandes terríveis acidentes, ocorrendo até mutilações e óbitos.

 


 


Marcelo de Oliveira Souza

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os Nholos


Os  Nholos

 

Um belo dia estava vendo um casco arriado de ponta a cabeça, com umas pernas balanço parecendo charutos, num cantinho da feira de quinta feira em Araci.

Resolvi  aproximar-me, constatando que era um cágado esperando um salvador, pois o pequeno animal estava ali à venda para virar aperitivo.

Prontamente resolvi resgatá-lo, de quebra ainda tive que levar mais uma fêmea,  foi a exigência do vendedor, prontamente aceita.

Deixei os animaizinhos no fundo de casa onde existia um grande jardim, os bichinhos saíram desidratados, mas animados, com a sua nova morada.

Eles eram muito espertos, apesar de não emitir praticamente nenhum som, os danados não paravam quietos, o macho foi batizado de Nholo e a fêmea por sua vez de Nhola.

Eles insistiam sair do fundo  para a frente da residência, sendo uma grande atração para aquela rua de interior.

Na época da política recebi um montão de propaganda, aqui em Salvador de um candidato a deputado a federal, não é que o casal de animal virou meio de propaganda?

Coloquei   no casco deles um adesivo, eles saíram andando devagarzinho, foi um verdadeiro showmício, todos encostavam na garagem para fotografar os bichos.

No tédio interiorano costumávamos apostar corrida entre eles, era uma verdadeira festa, principalmente quando eles sentiam um cheiro de um suculento pedaço de bife fresco! Eu jurava que eles eram herbívoros, mas os bichos gostavam de tudo! Não havia tempo ruim para ele.

Tudo transcorria bem entre o casal, mas não havia reprodução, será que eles conseguiam fazer cópula?

Procurei uma pessoa mais esclarecida no assunto e levei um belo susto:

Nhola era de fato um macho!

Depois dessa grande revelação parece que o andrógeno animal, passou mal pela revelação:  Ele começou a ter desenteria, mas acredito que foi por causa do quiabo, será? Mas o outro não ficou doente?!...

Não sabia mais o que fazer, até que veio-me  a ideia de fazer como a gente faz com humanos, dar bastante água  e empurrar comida, o mais fácil foi arroz. Então era arroz e água e assim sucessivamente...

Os dias foram passando  mas o nosso doente não saída do lugar, não abria os olhos, mas não estava morto. Insisti a semana toda, até que já percebia que ele estava de olhos abertos e segui o tratamento com  persistência.

Um tempo depois ele já se arrastava. ... - Os bichos já são lentos, imagine se arrastando! -

Foi muito tempo para a convalescença, mas depois de muita insistência, ele estava ali robusto, foi quando a vizinhança sabendo da sua melhora e do seu drama de ser um casal de dois machos resolveu dar uma fêmea, grandona! Batizada de Nholona!

Justamente na época que estava de mudança para Salvador e para um apartamento, como fazer para levá-los?

Tentei simular um terreiro na área de serviço, fechando com alguns obstáculos, que eles passavam o tempo todo tentando transpassá-los.

À noite ouvi  um estalar de cascos, um verdadeiro bate-bate, quando fui ver,  era o antigo casal brigando pela robusta  fêmea.

De vez em quando eu soltava-os para tomar sol na sala, eles saíam loucos, ficando ali paradinhos um ao lado do outro, como  o  estacionamento do nosso prédio.

Certa  vez quando cheguei, vi um caso horroroso, a cópula deles, um membro do animal abria e parecia uma cobra naja com dois grandes orifícios na parte superior e o bichinho produzia sons estranhos como se fosse uma cantoria para animar Nholona.

Mas a  formosa  experiência de criar cágados já estava no fim, pois animação deles sujava a sala toda de sêmen e pensando nisso resolvi deixar na casa de praia do meu pai, para vê-los de vez em quando.

Eles chegaram a se reproduzir, mas o meu "chefe"  assustado com toda aquela população de animais,  distribuiu tudo pela vizinhança e não deu nem para ver como eram os filhotinhos, deixando-me aqui na saudade.

 

 


Marcelo de Oliveira Souza

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Complexo de Coisas Erradas

Estamos em pleno século XXI, muitas vezes me pegava pensando como seria o futuro da nossa cidade quando entrasse o novo século.
Agora vemos que aqui em Salvador é uma cidade típica de país de terceiro mundo, presa no século XIX,  onde o povo não tem oportunidades de segurança, de saúde, de educação, muito menos de lazer.
Uma prova cabal disso é o parque Solar Boa vista, que fica praticamente no centro da cidade, na Boa Vista de Brotas, um nome tão bonito, que era a bucólica morada de um dos maiores escritores do Brasil, Castro Alves.
Só vemos degradação no local, virando um complexo de coisas erradas: Estacionamento de veículos grandes e pequenos, lava-jatos em vários pontos, ponto de tráfico/consumo de drogas, ponto de desocupados, agora para fechar o ciclo virou lixão público.
Onde estão os nossos governantes que não veem isso?
A imprensa toca no assunto diversas vezes, mas o que nos sentimos é que eles desprezam o fato de existir um lugar com esse potencial, até quando?


Marcelo de Oliveira Souza

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sorriso de Mãe

Sorriso de Mãe

 

Com um grande coração

Ela torna-se mãe

Uma vida

Gerando vida.

Os anjos comemoram

Uma grande emoção.

 

Muitos obstáculos se somam

Mas o sorriso de mãe continua

A vida segue

O filho cresce ou some...

 

A vida tem destas coisas

Mas a mãe está ali

V i g i l a n t e

Mesmo diante

Do maior dos problemas.

 

Nessa vida nada é perfeito

E nada é tão intenso

Como o Sorriso de Mãe

C   o  n  s  t  a  n  t  e ...

Que abraça o mundo

Somente num segundo.

Doravante

Não esqueça

Que esse sorriso

Eterno nesse momento,

Onipotente...

I n f e l i z m e n t e

Não é eterno como o seu  amor.

 



Marcelo de Oliveira Souza

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Estrada das Barreiras

A Estrada das Barreiras

 

 

 

Os governantes resolveram o problema de trânsito na região da Rótula do Abacaxi, era uma verdadeira tortura passar por ali, mas tem um lugar que é um abacaxi maior ainda, uma verdadeira barreira, quase intransponível.

Esse lugar é chamado  Estradas das Barreiras, não sei se quem  denominou aquele lugar estava  vislumbrando o futuro, mas o lugar é quase intransponível.

Os motoristas já entram com medo de entrar naquele saco de gato, pois a via é estreita e não possui recuo para que os motoristas de ônibus possam encostar para pegar os passageiros.

Assim, quem dirige carros particulares são obrigados a esperar os ônibus encostarem, carregarem os passageiros e saírem do ponto, numa grande e agonizante fila indiana.

Mas o pior é quando o transito se bifurca no final dessa fatídica avenida, uma parte vai para a Mata Escura, outra parte para Tancredo Neves.

Nesse escoadouro, ninguém quer dar preferência a ninguém, principalmente quem dirige os carros grandes e problemáticos, eles tomam a  rotatória e ficam no joguinho da espera...

O tempo passa, o engarrafamento aumenta,  junto com ele o sofrimento de frequentar todo dia a Estrada das Barreiras.

Modificações  imediatas é muito difícil, mas ajudaria muito se prepostos da  Transalvador saísse dos seus esconderijos e fossem orientar esse Trânsito caótico da região, ou será que eles só querem ficar sentados esperando os radares infernais engordarem a conta deles?

 

 




Marcelo de Oliveira Souza

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Maior Idade Penal


A Maior idade Penal 



Todos nós sabemos que o índice de violência vem aumentando, nas grandes e até nas pequenas cidades, devidos a vários fatores. 
O principal fator é a dissolução da família, a primordial instituição, pois quem não respeita pai e não respeita mãe, certamente não irá respeitar mais ninguém, indo sofrer as conseqüências na rua. 
O outro fator é a maior idade penal, com a nova lei que defende os menores, eles se equivocam bastante, achando que não podem ser presos, mas para isso criaram o eufemismo "apreendido" ou pena sócio-educativa, esse equivoco causa um monte de confusão na cabeça dos adolescentes. 
O menor de idade de quinze e dezesseis anos de idade já sabe o que é certo e o que é o errado, eles têm direitos civis constituídos, têm o direito a votar, o que está faltando para poderem ser responsáveis pelos seus atos? 
Muitas pessoas passaram a ter medo desses menores, principalmente se forem advindos de escolas públicas, aqui na cidade de Salvador, muitos deles vão para o fundo fazer batucadas, gritar, apelidar o motorista e até quem está no transporte, outros acham pouco e até sobem no teto do coletivo para externar a sua impunidade. 
Um teórico da educação saiu propalando a seguinte pérola, que esses menores que traficam que matam e infringem a lei não precisam de prisão e sim de escola, mas o que fazer com um menor desses na escola, como fica o professor para ensinar esse tipo de pessoa e os colegas dessa pessoa que infelizmente tem que ser forçados a conviver diariamente com uma pessoa desse quilate? 


Marcelo de Oliveira Souza 

Marcelo de Oliveira Souza